Pneumonia Adquirida na Comunidade: Antibióticos e Duração
Conheça as diretrizes mais recentes sobre pneumonia adquirida na comunidade. Saiba como escolher o antibiótico ideal e a duração correta do tratamento.
Rodrigo Simões
Aprenda como fazer o diagnóstico correto de pneumonia adquirida na comunidade na prática clínica. Guia completo com critérios e métodos diagnósticos.
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Apresentação clínica, radiografia, laboratório e escores de gravidade: o que você precisa saber para não errar na atenção primária e no pronto-socorro.
O ESSENCIAL EM 30 SEGUNDOS
Você provavelmente já atendeu PAC hoje. É uma das infecções mais frequentes no pronto-socorro e na UBS, e ainda assim o diagnóstico escorrega: apresentação atípica, radiografia duvidosa, paciente que "não parece tão mal". O problema é que a PAC mal estratificada mata, e a PAC supertratada também tem custo, seja em internações desnecessárias, seja em antibióticos que não precisavam ser dados.
Este artigo não é sobre antibiótico. É sobre o passo anterior: reconhecer, confirmar e estratificar. Porque a decisão de internar ou não começa muito antes da prescrição.
O diagnóstico exige síndrome clínica compatível mais infiltrado radiológico novo. Sem os dois, é suspeita, não diagnóstico.
A definição operacional das diretrizes ATS/IDSA 2019 (Metlay et al., 2019) é direta: PAC é uma infecção aguda do parênquima pulmonar adquirida fora do ambiente hospitalar, com infiltrado novo na imagem e pelo menos um sinal ou sintoma de infecção respiratória baixa. Febre, tosse, expectoração, dispneia, dor pleurítica ou alteração auscultatória entram nessa conta.
A apresentação típica você conhece: início agudo, febre alta, calafrios, tosse produtiva com escarro purulento, dor pleurítica. Pensa em Streptococcus pneumoniae e já sabe o que fazer. O problema é a apresentação atípica, que não é exceção: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae e vírus respiratórios costumam se apresentar com início insidioso, tosse seca, cefaleia, mialgia e febre baixa. Ausculta pode ser quase normal.
Em idosos, o quadro pode ser ainda mais silencioso: confusão mental, queda do estado geral, descompensação de comorbidade sem febre evidente. Se o paciente tem mais de 65 anos e "não está bem", pense em PAC mesmo sem o quadro clássico.
Radiografia de tórax é obrigatória para confirmar o diagnóstico. Se for normal e a suspeita for alta, não descarte: repita em 24-48 horas ou avance para TC.
As diretrizes ATS/IDSA 2019 recomendam radiografia de tórax para todos os pacientes com suspeita de PAC. No pronto-socorro, isso é padrão. Na atenção primária, o acesso pode ser limitado, mas o esforço para obtê-la vale: tratar PAC sem confirmação radiológica é tratar síndrome, não diagnóstico.
A radiografia pode ser falsamente negativa nas primeiras horas, em pacientes desidratados ou imunossuprimidos. Se a suspeita clínica for forte e a radiografia normal, duas opções: repetir em 24 a 48 horas ou solicitar tomografia computadorizada de tórax, que tem sensibilidade superior. No contexto do SUS, a TC nem sempre está disponível de imediato, então a repetição da radiografia é a alternativa mais acessível.
Padrões radiológicos que você vai ver com frequência:
No ambulatório, você não precisa de muito. No pronto-socorro, o laboratório ajuda a estratificar, não a diagnosticar.
Para o paciente de baixo risco que você vai tratar em casa, o laboratório tem papel limitado. A decisão de internar ou não depende mais do escore de gravidade do que do hemograma. Dito isso, alguns exames têm valor real:
Antígenos urinários para Legionella pneumophila e S. pneumoniae têm indicação nos casos graves e hospitalizados, conforme as diretrizes IDSA/ATS 2007 (Mandell et al., 2007). No SUS, a disponibilidade varia muito por serviço, então conheça o que o seu hospital oferece.
Escore de gravidade não substitui o julgamento clínico, mas estrutura a decisão e protege o paciente, e você.
Dois escores validados dominam a prática:
O CURB-65 é mais rápido e funciona bem no pronto-socorro. Cinco variáveis, um ponto cada: Confusão mental, Ureia maior que 50 mg/dL (ou 7 mmol/L), Respiração maior ou igual a 30 irpm, Blood pressure sistólica menor que 90 mmHg ou diastólica menor ou igual a 60 mmHg, e 65 anos ou mais. O artigo de derivação, Lim et al. (2003), demonstrou boa acurácia preditiva de mortalidade em 30 dias em populações de múltiplos países. Calcule o CURB-65 aqui.
O PSI (Pneumonia Severity Index) é mais complexo, com 20 variáveis, mas mais preciso para identificar quem realmente pode ficar em casa. O estudo seminal de Fine et al. (1997) mostrou que pacientes nas classes I e II têm mortalidade menor que 1% e podem ser tratados ambulatorialmente com segurança. Classes IV e V indicam internação.
Na prática brasileira, o CURB-65 é mais usado por ser rápido e não depender de dados que nem sempre estão disponíveis na triagem. Use o PSI quando tiver dúvida no paciente de risco intermediário pelo CURB-65.
Um ponto importante: os escores não capturam tudo. Paciente com CURB-65 de 1 mas que mora sozinho, não tem condições de tomar medicação oral ou tem comorbidade descompensada merece internação mesmo assim. O escore orienta, você decide.
Os critérios maiores da IDSA/ATS são objetivos: se um deles estiver presente, é UTI direta.
As diretrizes IDSA/ATS 2007 definem critérios para PAC grave com necessidade de UTI. Um critério maior já basta:
Ou três ou mais critérios menores: frequência respiratória maior ou igual a 30 irpm, PaO2/FiO2 menor ou igual a 250, infiltrado multilobar, confusão mental, uremia, leucopenia, trombocitopenia, hipotermia ou hipotensão que responde a fluidos. Se o paciente está na beira do leito e você está contando critérios menores, já é hora de acionar a UTI.
NA PRÁTICA: O QUE MUDA NO SEU ATENDIMENTO
Posso diagnosticar PAC sem radiografia de tórax?
Tecnicamente, o diagnóstico é clínico e radiológico. Sem imagem, você tem síndrome clínica compatível, não PAC confirmada. Faça o esforço para obter a radiografia antes de prescrever.
CURB-65 ou PSI: qual usar no dia a dia?
CURB-65 para decisões rápidas no pronto-socorro. PSI quando você tem dúvida no paciente de risco intermediário e quer mais precisão. Os dois são validados e complementares.
Paciente jovem, sem comorbidade, CURB-65 zero: posso mandar para casa sem exame?
Se a suspeita clínica for alta, ainda assim peça a radiografia para confirmar o diagnóstico. Tratar sem confirmação é tratar empiricamente uma síndrome, o que pode atrasar diagnósticos alternativos como TEP ou neoplasia.
Procalcitonina está disponível no meu serviço. Quando usar?
Principalmente para diferenciar PAC bacteriana de viral em quadros ambíguos e para monitorar resposta ao tratamento. Não use isoladamente para decidir internar ou não, o escore de gravidade tem mais peso nessa decisão.
Fontes
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Revisado por profissional da saúde
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui o julgamento clínico. A decisão médica é responsabilidade exclusiva do profissional de saúde. Consulte sempre seu médico antes de tomar qualquer decisão sobre sua saúde.
Como este artigo foi produzido: Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial e revisado por profissional da saúde. As fontes citadas são verificadas pela nossa equipe editorial.
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